E em mais um dia de farra, naquele velho e bom Gol, a 130 por hora (como já era de costume), eles conheceriam o tamanho da amizade deles. Ainda não conseguiam entender como aquele carro aparecera sem ser notado por nenhum dos dois. Pra encurtar a história, um terrível acidente de carro. Essa é a parte conhecida da história. Segundo se conta, depois, subiram os dois ao encontro do Todo Poderoso. Diz-se que Deus, num voto de confiança, levou-os pro paraíso. Mas não conseguiam se desapegar da irmandade, e quando se juntavam até no céu aprontavam. Era um tal de dormir em serviço, de fugir pra dar uma volta na terra, de sair pra ficar conversando na sombra das árvores. Deus, ciente da situação não sabia se ria ou se castigava os dois, afinal, uma amizade pra sobreviver à morte não se via todo dia. E ia deixando eles lá, fazendo vista grossa por que, na verdade Ele achava aquilo muito bonito. Mas, cansado das queixas dos anjos, Deus manda os dois em reencarnação, desta vez um em cada canto do mundo. Muitos achavam que até Deus enjoara de tanto gostar e queria separar os dois. Mas não teve jeito. Para provar o quanto era grande o sentimento, os dois nasceram viajantes. Um, filho de um capitão da Marinha, e o outro filho de hippies viajantes. A essa altura Deus já havia se esquecido da pequena brincadeira que fizera, quando os dois se conhecem, ao acaso, em uma cidade dessas qualquer do mundo.
E lá, mais de vinte anos depois, Deus um dia bate um olho em dois amigos, sentados na areia de uma praia, olhando o tempo passar, e deixa escapar um sorriso ao pensar alto:
- Hum... Lá estão aqueles dois de novo. – E volta-se para fazer alguma outra coisa.






